​ ​external image Gandhi.jpgNamaste.

O meu nome é Mohandas Karamchand Gandhi mas sou mais conhecido por Mahatma Gandhi. Mahatma provém do sânscrito ‘‘A Grande Alma’’ e eu sinto-me profundamente honrado e sensibilizado por ser reconhecido deste modo.
Sou conhecido por ter liderado mais de duzentos e cinquenta milhões de hindus e por ser um dos idealizadores e fundadores do Estado Indiano Moderno. Todavia, o que tenho mais orgulho é em ter sido um influente defensor do Satyagraha (é o principio da Não Agressão ou uma forma não violenta de protesto) que eu usei como forma de revolução e felizmente afectou de forma positiva a vida de muitas pessoas, inclusive conhecidos activistas como Nelson Mandela e Martin Luther King.


Juventude e Primeiros Passos na Advocaciaexternal image gandhi06.jpg

Nasci a 2 de Outubro de 1869 e como era costume naquela época, aos treze anos eu e uma moça da mesma idade casámo-nos por causa dos nossos pais.
O meu pai era
um
político local e a minha mãe era uma vaisnava religiosa.
Prometendo abster-me de vinho, mulheres e carne, a minha mãe autorizou que eu fosse estudar Direito para Inglaterra, mais especificamente em Londres.
Juntamente com Henry Salt, criei um clube defensor do Vegetarianismo e onde se encontravam indivíduos com interesses altruísticos e teólogos.
Em 1891, tendo regressado à Índia, descobri que a minha mãe tinha morrido e aproveitando uma oportunidade única, fui para a África do Sul e trabalhei
num processo judicial.
Por ter estado neste país, pude aperceber-me das injustiças sociais e da discriminação racial e querendo combater estes problemas, dei o meu melhor para descobrir a verdade enquanto advogado e em 1894 fundei o Congresso hindu.
Voltei à Índia e em 1897 regressei à África do Sul com a minha esposa e os meus filhos e aqui fiquei durante mais vinte anos e defendi sempre a minoria hindu, dirigindo a luta pelos direitos do meu povo.




Inicio do Uso da Desobediência Civil

Em 1906 usei pela primeira vez em grupo a Satyagraha.
O seu uso deveu-se à profunda humilhação que sentíamos pois o Governo obrigava a registar-nos.
Em 1907 alguns hindus e eu fomos presos. A minha pena não foi dura, pois não trabalhei arduamente e aproveitei o tempo na prisão para ler.
Em toda a minha vida passei seis anos preso, embora nunca tenha sido violento.

Certo dia comecei a trocar cartas com Liev Tólstoi. Abracei algumas das suas ideias revolucionistas e tomei contacto com o escritor Henry David Thoreau, em particular com o seu livro A Desobediência Civil (aconselho veemente a ler esta obra). Também fui influenciado pelos pensamentos de Piotr Kropotkin.
Entretanto, na África do Sul cresceu o movimento de conquista dos direitos indianos.
Em 1913 fui preso por conduzir uma marcha com mais de duas mil pessoas. Apesar de ter sido liberto, fui novamente preso e liberto e mais uma vez fui preso. Um verdadeiro rodopio. Desta vez, fiquei na prisão mais tempo que anteriormente, três meses.

Felizmente alguns missionários cristãos doaram o seu dinheiro para que eu pudesse sair da prisão.
Continuei as negociações e no final todos os casamentos foram autorizados, independentemente da sua religião, e nós, os indianos, ganhámos mais liberdade.
Comprovei o poder do método de Satyagraha e ainda hoje considero uma ferramenta crucial para a resolução a maioria dos problemas da civilização moderna
.


Luta pela Independência da Índia

Em 1915 regressei à Índia e o meu país ainda estava sofrendo devido às regras coloniais britânicas. Eu sugeri que a Índia podia ser independente por meios não violentos, pois eu sou contra a força bruta e a opressão e penso que a força da alma ou amor e que se mantém a unidade das pessoas em paz e harmonia. Bem, após esta reflexão irei continuar.
Tendo eu a consciência da situação, passei a alertar o povo hindu e muçulmano para lutar pacificamente pela independência indiana, baseando-me no uso da não violência que foi inspirada nas ideias de Henry David Thoreau.
Graças a um doador anónimo pude ajudar os necessitados e as crianças carentes.
Em 1917 comecei a ajudar as pessoas que trabalhavam na área da tecelagem pois estas eram injustamente exploradas pelos proprietários. Embora me tenham prendido, aperceberam-se que eu era o único que conseguia controlar a fúria e revolta das multidões.
Em 1919, apesar da Índia ter ajudado a Inglaterra durante a guerra, a nossa liberdade enquanto civis estava a ser cada vez mais reduzida. Eu pedi um dia de greve geral, no entanto, os indianos não perceberam bem o meu objectivo e envolveram-se em brigas. Foi por isso que eu decidi cancelar essa greve.
Em 1920, fundei uma campanha nacional de Não Cooperação com o Governo Britânico.
Durante a minha vida realizei diversas viagens pelo território hindu, pretendendo alertar as pessoas para a utilização da Desobediência Civil e da Não Violência.
Em 1928 realizei uma campanha contra o aumento dos impostos britânicos, sempre utilizando o método de Satyagraha. Embora fossemos repreendidos, continuámos sem ser violentos e após vários meses de protesto, os ingleses cancelaram os aumentos de impostos, libertaram as pessoas presas e devolveram as terras aos camponeses e estes, por sua vez, continuaram a pagar os seus impostos.
No mesmo ano, querendo autonomia, o congresso indiano pensou em declarar guerra à Inglaterra. Apesar de me ter oposto a essa decisão por ser um pacifista convicto declarei que se a Índia não se tornasse independente até ao fim do ano de 1929, eu mesmo exigiria a independência do meu país.


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(Feito por Leonor a partir daqui)

A "Marcha do Sal"

Consequente em 1930, informei o vice-rei, de que a desobediência civil em massa iria iniciar-se no dia 11 de Março. "A minha ambição é nada menos que converter as pessoas britânicas à não violência, e assim fazer-lhes ver o mal que fizeram à Índia. Eu não procuro danificar as pessoas.". Foi o que eu disse e por conseguinte decidi desobedecer às "Leis do Sal" que proibiram os hindus de fazer seu próprio sal.
Começando com setenta e oito participantes, inicie uma marcha de 124 milhas para o mar que duraria mais de vinte e quatro dias. Milhares de pessoas tinham-se juntado no começo, e vários milhares uniram-se durante a marcha. Primeiro eu e depois os outros juntaram um pouco de água salgada na beira-mar em panelas, deixando-as ao sol para secar.
Em Bombaim o Congresso teve panelas no telhado; 60.000 pessoas juntaram-se ao movimento, e foram presas centenas delas.
Em Karachi onde 50.000 pessoas viram o sal a ser feito, a multidão era tão espessa que impedia a polícia de efectuar qualquer apreensão
As prisões estavam lotadas com pelo menos 60,000 ofensores. Incrivelmente nas prisões não havia praticamente nenhuma violência por parte da população; as pessoas não queriam que eu cancelasse o movimento.
Fui preso antes que pudesse invadir os "Trabalhos Dharasana Sal", mas a minha amiga Sarojini Naidu conduziu 2.500 voluntários e aconselhou-os a não resistir às intervenções policiais. De acordo com uma testemunha os voluntários continuaram a marchar até serem detidos depois do aco-shod lathis, por quatrocentos policiais, não oferecendo resistência.
Mais tarde, em 1931, fui chamado a uma reunião com o Vice-rei Irwin, e eles fixaram um acordo. A Desobediência civil foi cancelada, foram libertados os prisioneiros, a fabricação de sal foi permitida na costa, e os líderes do Congresso assistiriam à próxima Conferência de Mesa Redonda em Londres.
Enquanto estive preso em 1932, entrei em jejum em nome dos meus queridos Harijans pois a eles tinha sido determinado um eleitorado separado. Poderia ser um jejum até morte, a menos que eu pudesse despertar a consciência hindu. O assunto estava resolvido, e até mesmo templos hindus intocáveis eram abertos pela primeira vez.
No ano seguinte, em 1933, fiz um jejum de vinte e um dias para purificação, e os funcionários britânicos, amedrontados com a possibilidade de eu sucumbir, colocaram-me na prisão. Anunciei que não me ocuparia da desobediência civil até que a minha oração fosse completada.
Mesmo com a Segunda Guerra Mundial a aproximar-se, eu tinha comprovado os meus princípios pacifistas. Mostrei como a Abissínia (Etiópia) poderia ter usado a não violência contra Mussolini.
Já em 1938 tentei encorajar os judeus para defenderem os seus direitos e se necessário a morrerem sacrificados.
Recomendei ao britânicos o uso de Métodos não violentos para combater Hitler já que nunca iria dar o meu apoio a qualquer tipo de guerra ou chacina.
Nesse mesmo ano o Congresso prometeu-me a que eu ficaria fora da prisão, mas outros 23.223 indianos foram presos, inclusive Vinoba Bhave, Jawaharlal Nehru, e Patel.
Porém, continuei a exercer uma revolução não violenta para a Índia, e em 1942 eu e muitos outros líderes fomos presos. Decidi jejuar novamente... apenas eu sobrevivi e tive de ver muitos dos meus queridos amigos a partirem depois de terem lutado a meu lado…
A independência para a Índia estava agora próxima, mas Jinnah o Líder muçulmano exigia a criação de um estado separado: o Paquistão.
Um dia preguei pela unidade e tolerância, até mesmo li às reuniões um Alcorão de orações.
Os hindus atacaram-me pensando que eu era a favor dos muçulmanos, e os muçulmanos exigindo dele a criação do Paquistão. Fui para Calcutá para acalmar a discussão e a violência entre hindus e muçulmanos.
Mais uma vez ele jejuei até que os líderes da comunidade assinaram um acordo para manter a paz. Antes de eles assinassem o acordo, preveni-os de que se eles revoltassem eu jejuaria até a morte.
Mais tarde em Janeiro de 1948 tentei mais uma vez acalmar os conflitos entre hindus e muçulmanos, permitindo assim a divisão da Índia em dois países.


O movimento pela independência indiana

Após a guerra, envolvi-me com o Congresso Nacional Indiano e com o movimento pela independência. Ganhei reconhecimento internacional pela minha política de desobediência civil e pelo uso do jejum como forma de protesto.
Por esses motivos a minha prisão foi determinada diversas vezes pelas autoridades inglesas, prisões às quais sempre se seguiram protestos pela minha libertação.
Outra das minhas estratégia eficiente pela independência foi a política do swadeshi - o boicote a todos os produtos importados, especialmente os produzidos na Inglaterra. Aliada a esta estratégia estava a minha proposta de que todos os indianos deveriam vestir o khadi - vestimentas caseiras - ao invés de comprar os produtos têxteis britânicos.
Declarei que toda mulher indiana, rica ou pobre, deveriam gastar parte do seu dia a fabricar o khadi em apoio ao movimento de independência. Esta era uma estratégia para incluir as mulheres no movimento, em num período em que pensava-se que tais actividades não eram apropriadas às mulheres.
A minha posição pro-independência endureceu após o Massacre de Amritsar em 1920, quando soldados britânicos abriram fogo matando centenas de indianos que protestavam pacificamente contra medidas autoritárias do governo britânico e contra a prisão de líderes nacionalistas indianos.
Uma das minhas mais eficientes acções foi a marcha do sal, cuja história já contei, conhecida como Marcha Dândi, que começou a 12 de Março de 1930 e terminou em 5 de Abril, quando levei milhares de pessoas ao mar a fim de cobrarem o seu próprio sal ao invés de pagar a taxa prevista sobre o sal comprado.
A 8 de Maio de 1933, comecei um jejum que durou até ao 21 dias em protesto à opressão Britânica contra a Índia.
Em Bombaim, no dia 3 de Março de 1939, jejuei novamente em protesto às regras autoritárias e autocráticas para a Índia.

Passei cada vez mais a pregar a independência durante a II Guerra Mundial, através de uma campanha aclamando pela saída dos britânicos da Índia. Campanha essa que se chamava Quit India (saiam da Índia) e que em pouco tempo se tornou o maior movimento pela independência indiana, causando lotação da várias prisões e violência numa escala inédita.
Eu e os meus partidários deixamos claro que não apoiaríamos a causa britânica na guerra a não ser que fosse garantida à Índia independência imediata.
Durante esse tempo, eu mesmo meditei como apelo à não-violência.
Fui então preso em Bombaim pelas forças britânicas a 9 de agosto de 1942 e preso por dois anos.


A divisão da Índia entre hindus e muçulmanos

Tive uma grande influência entre as comunidades hindu e muçulmana da Índia. Costuma-se dizer que eu terminava brigas comuns apenas com a minha presença.
Posicionei-me contra qualquer plano que dividisse a Índia em dois estados, o que efectivamente aconteceu, criando a Índia - predominantemente hindu - e o Paquistão - predominantemente muçulmano.
No dia da transferência de poder, não celebrei a independência com o restante povo da Índia, pelo contrário, lamentei sozinho em Calcutá a partilha do país.
Inicie um jejum no dia 13 de Janeiro de 1948 em protesto contra as violências cometidas por indianos e paquistaneses. No dia 20 desse mês, sofri um atentado: uma bomba foi lançada na minha direcção, mas felizmente ninguém ficou ferido.
No dia 30 de Janeiro de 1948, fui assassinado a tiro, em Nova Déli, por Nathuram Godse, um hindu radical que responsabilizava-me pelo enfraquecimento do novo governo ao insistir no pagamento de certas dívidas ao Paquistão.
Godse foi depois julgado, condenado e enforcado. Ao castigarem-no não respeitaram o meu último pedido que foi justamente a não-punição de meu assassino.
Fui cremado e as minhas cinzas foram jogadas no rio Ganges.



Princípios

Continuei a transmitir os meus ensinamentos de manifestação não-violenta até aos meus últimos anos de vida. O conceito de 'não-violência' permaneceu por muito tempo no pensamento religioso da Índia e pode ser encontrado em diversas passagens do textos hindus, budistas e jainistas
Estritamente vegetariano, escrevi diversos livros sobre o vegetarianismo enquanto estudava direito em Londres. Experimentei diversos tipos de alimentação e concluiu que uma dieta deve ser apenas para satisfazer as necessidades do corpo humano. Jejuava muito, e usava o jejum frequentemente como estratégia política.
Renunciei ao sexo quando tinha 36 anos de idade e ainda era casado, uma decisão que foi profundamente influenciada pela crença hindu do brachmacharya, ou pureza espiritual e prática. Também passava um dia da semana em silêncio. Abster-me de falar trazia-me paz interior. Durante esses dias a minha única forma de comunicar com os outro era a escrever.
O título que me foi atribuído, Mahatma, representa um reconhecimento de meu papel como líder espiritual.
Quando voltei para a Índia, após uma bem-sucedida carreira de advogado na África do Sul, deixei de usar as roupas que representavam riqueza e sucesso. Passei a usar um tipo de roupa que costumava ser usada pelos mais pobres entre os indianos.
Eu e os meus seguidores fabricávamos artesanalmente os tecidos das nossas próprias roupas e usávamos esses tecidos nas nossas vestes.
Também era contra o sistema convencional de educação nas escolas, acreditava que as crianças aprenderiam mais com seus pais e com a sociedade. Na África do Sul, eu e outros homens mais velhos formamos um grupo de professores que leccionava directamente e livremente às crianças.

Indicações para o Prémio Nobel da Paz

Nunca recebi o prémio Nobel da Paz, apesar de ter sido indicado cinco vezes entre 1937 e 1948. Décadas depois, no entanto, o erro foi reconhecido pelo comité organizador do Nobel.
Ao longo da minha vida, as actividades as actividades que realizei atraíram todo tipo de comentário e opinião.
Winston Churchill chegou a chamar-me "faquir castanho".
Albert Einstein disse que as gerações por vir terão dificuldade
em acreditar que um homem como eu realmente existiu e caminhou sobre a Terra.
Na minha opinião não passei de mais um dos Homens que passou e deixou a sua marca na Terra. Percorri todo o meu caminho travando uma grande luta a favor da paz, da união de todas as nações e da não-violência… luta essa que em vivo nunca consegui vencer. Agora cabe a vocês acabarem com a minha luta, pois tudo aquilo que eu queria não me iria beneficiar e agradar só a mim, mas a todos os seres que vivem e um dia viveram sobre a Terra, o nosso único lar. Como sempre disse não existe um caminho para paz! A paz é o caminho! E apenas unidos a iremos conseguir alcançar…