Introdução

Fig. 1  - Fernando Pessoa
Fig. 1 - Fernando Pessoa

Eu, Fernando António Nogueira Pessoa, fui Poeta, ficcionista, dramaturgo, filósofo, prosador, um dos maiores génios poéticos de toda a nossa Literatura, sou a mais complexa personalidade literária portuguesa e europeia do século XX. A minha poesia acabou por ser decisiva na evolução de toda a produção poética portuguesa do século XX. Se em mim é ainda notória a herança simbolista, fui mais longe, não só quanto à criação (e invenção) de novas tentativas artísticas e literárias, mas também no que respeita ao esforço de teorização e de crítica literária. Sou poeta universal, na medida em que vos fui dando, mesmo com contradições, uma visão simultaneamente múltipla e unitária da Vida. É precisamente nesta tentativa de olhar o mundo duma forma múltipla (com um forte substrato de filosofia racionalista e mesmo de influência oriental) que reside uma explicação plausível para ter criado os meus célebres heterónimos - Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, sem contarmos ainda com o semi-heterónimo Bernardo Soares.

Auto Biografia



Fig.2 Fernando Pessoa ( de Alamada Negreiros)
Fig.2 Fernando Pessoa ( de Alamada Negreiros)
Nasci em Lisboa a 13 de Junho de 1888 e aos 7 anos parti para a África do Sul com a minha mãe e padrasto. Lá fiz os estudos secundários, obtendo resultados brilhantes, e redigi alguns dos meus primeiros textos poéticos, atribuídos a pseudónimos, entre os quais se salienta o de Alexander Search. Em fins de 1903 fiz o exame de admissão à Universidade do Cabo. Com esta idade (15 anos) era já surpreendente a variedade das minhas leituras literárias e filosóficas. Em 1905 regresso definitivamente a Portugal; no ano seguinte matriculo-me, em Lisboa, no Curso Superior de Letras, mas abandono-o em 1907. Decido depois trabalhar como "correspondente estrangeiro" e dedico-me a uma vida literária intensa.
Em 1912 estreio-me na revista A Águia com artigos de natureza ensaística. 1914 é o ano da criação dos meus três conhecidos heterónimos e em 1915 lanço, com Mário de Sá-Carneiro, José de Almada-Negreiros e outros, a revista Orpheu, revista que assinala a afirmação do modernismo português e cujo impacto cultural e literário só pôde cabalmente ser avaliado por gerações posteriores. Participei também na fundação de algumas revistas e colaborei noutras - A República, Teatro, A Renascença, Eh Real, O Jornal, A Capital, Exílio, Centauro, Portugal Futurista, Athena, Contemporânea, Revista Portuguesa, Presença, O Imparcial, O Mundo Português, Sudoeste, Momento
Marquei profundamente o movimento modernista português, quer pela produção teórica em torno do sensacionismo, quer pelo arrojo vanguardista de algumas das minhas poesias, quer ainda pela animação que imprimi à revista Orpheu (1915). No entanto, quase toda a minha vida decorreu no anonimato. Quando morri, em 1935, publiquei apenas um livro em português, Mensagem (no qual exprimo poeticamente a minha visão mítica e nacionalista de Portugal), e deixei a minha famosa arca recheada de milhares de textos inéditos. A editora Ática começou a publicar a minha obra poética em 1942. No entanto, já o grupo da Presença tinha iniciado a sua reabilitação (poética e filosófica) face ao público e à crítica.
Caracterizo me como a presença de uma pequena humanidade, tenho diversas personagens, todas elas com personalidad
Fig.3  A Mensagem
Fig.3 A Mensagem
es distintas, designadas por heterónimos. Também sou uma personalidade poética activa e mantenho o meu nome Fernando Pessoa, o qual se designa por um ortónimo. Enquanto Fernando Pessoa ortónimo, excluindo a Mensagem, coexistem em mim duas vertentes: a tradicional e a modernista. Tenho poemas mais tradicionais com a influência lírica de Garrett do sebastianismo e do saudosismo, com versos geralmente curtos mas com suavidade rítmica e musical. A maior parte dos meus versos abriu caminho a experimentações modernistas numa constante procura da intelectualização de sensações e de sentimentos. Desde a minha colaboração no Orpheu que houve uma ruptura, fiz um aproveitamento cuidado do impressionismo e do simbolismo, que me abriu um caminho ao modernismo com o texto-programa do Paulismo ( com Impressões do Crepúsculo), onde pus em destaque o vago, a subtileza e a complexidade, desenvolvi outras experimentações modernistas com o Interseccionismo e com o Sensacionismo, revelei-me dialéctico e procurei a intelectualização das sensações e dos sentimentos.
Para mim, um poema, como a arte, "é um produto intelectual" e, por isso, não acontece "no momento da emoção", mas resulta da sua recordação. A emoção precisa de "existir intelectualmente", o que só na recordação é possível.
Tenho uma necessidade
Fig 4. Fernando Pessoa e seus Heterónimos
Fig 4. Fernando Pessoa e seus Heterónimos
da intelectualização do sentimento para exprimir a arte. Ao não ser um produto directo da emoção, mas uma construção mental, a elaboração do poema confunde-se com um "fingimento".
Na criação artística, o poeta parte da realidade mas só consegue, com autêntica sinceridade, representar com palavras ou outros signos o "fingimento", que não é mais do que uma realidade nova, elaborada mentalmente graças à concepção de novas relações significativas, que a distanciação do real lhe permitiu.
O fingimento não impede a sinceridade, apenas implica o trabalho de representar, de exprimir intelectualmente as emoções ou o que quer representar. A dialéctica da sinceridade/fingimento liga-se à da consciência/inconsciência e do sentir/pensar.


Na minha poesia, é constantexternal image Fernando_Pessoa_I_by_nuvem.jpge o conflito entre o pensar e o sentir, que em boa parte revela a dificuldade em conciliar o que idealiza com o que consegue realizar, com a sequente frustração que a consciência de tudo isto implica. Revela-se aí um drama de personalidade que o leva à dispersão, em relação ao real e a mim mesmo. A dor de pensar traduz insatisfação e dúvida sobre a utilidade do pensamento.
Não consigo fruir instintivamente a vida por ser consciente e pela minha própira efemeridade. Muitas vezes, a felicidade parece existir na ordem inversa do pensamento e da consciência. O pensamento racional não se coaduna com verdadeiramente sentir sensitivamente.
O tempo, no meu estilo de poesia, é um factor de desagregação, porque tudo é efémero. Isso leva-me a desejar ser criança de novo. Sinto a nostalgia da criança que passou ao lado das alegrias e da ternura. Choro, por isso, uma felicidade passada, para lá da infância.
Há uma nostalgia do bem perdido, do mundo fantástico da infância, único momento possível de felicidade. Nas palavras do meu semi-heterónimo Bernardo Soares: "O meu passado é tudo quanto não consegui ser". Para mim o passado é um sonho inútil, pois nada se concretizou, antes se traduziu numa desilusão. Daí o meu constante cepticismo perante a vida real e de sonho.









Trabalho Realizado por:
Melissa Fernandes Nº22 9ºE
Patricia Tomas Nºº23 9ºE

Bibliografia:
Diciopédia 2009