1128.jpgEusébio


O meu nome é Eusébio da Silva Ferreira, mas só conhecido no mundo do futebol como "Pantera Negra". Nasci em Lourenço Marques (actual Maputo) no dia 25 de Janeiro de 1942, na altura em que Moçambique ainda era uma colónia Portuguesa.

Início de Carreira

Desde pequeno que comecei a jogar futebol nas ruas de Lourenço Marques. Acho que demonstrei bastante talento com a bola de trapos, razão pela qual em 1957, com a idade de 15 anos, fui convidado a juntar-me ao Sporting de Lourenço Marques, uma filial do Sporting em Moçambique, de onde eles estraíam talentos moçambicanos para o Sporting Clube de Portugal.
Era para o Sporting, não para o Benfica, para onde eu era suposto transferir-me mas, uma oferta tardia de 350 contos deu-me a hipótese de ir para o Benfica, que eu preferi. Estreei-me no Estádio da Luz a 23 de Maio de 1961, num jogo amigável contra o Atlético, no qual marquei três dos quatro golos do Benfica. A partir desse jogo, foi sempre a subir.


Permanência no Benfica

No início, tive algumas peripécias para conseguir assinar o contrato com o Benfica, como ter vindo de uma filial do Sporting, entre outras, o que me impediu de estar em Berna, para jogar na final da Liga dos Campeões frente ao Barcelona, que mesmo assim terminou na primeira vitória do Benfica na competição, terminando assim com a hegemonia dos "merengues" na liga dos campeões, que até àquele dia tinham ganho as unicas 5 edições da Taça.
A temporada de 61-62 foi a minha grande temporada de afirmação internacional, com a vitória na final da Liga dos Campeões frente ao Real Madrid por 5-3, tendo marcado 2 golos e feito uma grande exibição, ganhando assim o prémio de 2º melhor jogador do mundo com a idade de 20 anos. Para além disso, foi em 61 que me estreei na selecção nacional. Lembro-me bem desse dia. Foi na tarde de 8 de Outubro de 1961 que batemos o Luxemburgo por 4-2 num jogo a contar para as Eliminatórias de Campeonato do Mundo, tendo marcado um dos golos da selecção nacional.
Na temporada seguinte (62-63), voltei a chegar à final da Liga dos Campeões mas, infelizmente, não conseguimos bater o Milão (ficou 1-2), mas ganhamos a Liga Portuguesa, e desde esta temporada as ofertas não pararam de chover.
Na temporada de 63-64, ajudei as Águias a conquistarem o campeonato nacional e a Taça de Portugal, tendo sido pela primeira vez considerado o melhor marcador do campeonato português, com 28 golos. Foi no final desta temporada que a Juventus me ofereceu uma proposta de 16 mil contos (80000€), proposta essa que estava disposto a aceitar, mas que apenas não se concretizou devido à interferência de António de Oliveira Salazar, declarando-me propriedade nacional.
A temporada seguinte (64-65) foi também uma boa temporada para mim, com a conquista do campeonato nacional e sendo novamente o melhor marcador do campeonato português, com 28 golos.
Em 65-66, as coisas não correram tão bem ao Benfica, sem qualquer título ganho. Mas, foi no ano de 1966 que verdadeiramente mostrou o que valia, no Campeonato do Mundo.

Campeonato do Mundo de 1966


O nosso grupo de qualificação para este Mundial não era própriamente dificil, estando no Grupo da Turquia, República Checa e Roménia, grupo esse que superamos facilmente com 9 pontos, (nesta altura as vitórias valiam apenas 2 pontos) apenas com um empate frente à Rep. Checa (0-0) e uma derrota na Roménia (3-0).
Já na fase final do Camp. Mundo, calhamos no Grupo C, juntamente com a Húngria, Brasil e Bulgaria. Começamos bem, com uma vitória por 3-1 frente a Húngria de Puskas e Ferenc Dèak, depois com uma vitória por 3-0 frente a Bulgária, no qual marquei um dos golos, e depois eliminámos o Brasil com uma vitória 3-1, na qual marquei os dois golos da vitória.

Pos
Equipas
Pts
V
E
D
GM
GS


Portugal
6
3
0
0
9
2


Húngria
4
2
0
1
7
5


Brasil
2
1
0
2
4
6


Búlgaria
0
0
0
3
1
8
Após passarmos o grupo, passamos para os quartos-de-final frente à Coreia do Norte. Foi um dos melhores jogos da minha vida. Aos 45 minutos, perdíamos 3-0. Os Coreanos julgavam ter a vitória na mão quando, numa 2ª parte inspirada, marquei 4 golos, fazendo a reviravolta (3-4) e fiz a assistência para o golo de Torres fechar o resultado final em (3-5).




Depois chegamos às meias-finais frente à equipa anfitriã da Inglaterra. Depois de irmos para o intervalo a perder, com golo de Bobby Charlton aos 30', fixemos uma grande 2ª parte, mas aos 80' Bobby Charlton fez o 2-0. Consegui retaliar imediatamente, concretizando um penalti aos 82', mas infelizmente não conseguimos ganhar, apenas conseguimos o 2-1.



Após termos perdido com a Inglaterra, ganhamos à URSS no desafio do terceiro/quato lugar (2-1), comigo a marcar um dos golos de Portugal.
Fui nomeado o Melhor Marcador do Mundial com 9 golos, para além de ter sido Ballon d'Or (Melhor Jogador do Mundo)

Permanência no Benfica (cont)



No início da temporada de 1966-67, na sequência de um grande Campeonato do Mundo, chegou uma nova oferta do Inter: 9000 contos... Eu até estava disposto a transferir-me para o Giuseppe Miazza, mas novamente Salazar impediu a transferência de se concretizar. Nessa mesma temporada, as coisas correram melhor para o Benfica do que em 65-66, com uma vitória no Campeonato Nacional e comigo a ser novamente considerado Artilheiro Nacional, com 31 golos
Na temporada seguinte (67-68), ganhámos o Campeonato Nacional, para além de termos chegado à final da Taça dos Campeões Europeus, na qual perdemos na final com o Manchester Unites. Para além disso, foi nesta temporada que, pela primeira vez, fui Bota de Ouro e Artilheiro Nacional com 42 golos marcados.
Nas temporadas seguintes 68-75, ganhámos 5 vezes o Campeonato Nacional (68-69, 70-71, 71-72, 72-73, 74-75), 3 vezes a taça de Portugal (68-69, 69-70, 71-72), fui vezes Artilheiro nacional (69-70 com 20 golos, 70-71, com 23 golos, 71-72, com 27 golos e 72-73, com 40 golos) e 1 vez Bota de Ouro com 40 golos (1972-73)

Fim de Carreira


Após 1975-76, achei que já estava na altura de sair do Benfica, razão porque, com 33 anos, decidiu ingressar no Rhode Island Occeanars (EUA). A minha permanência nesse clube foi curta, tendo nesse mesmo ano sido transferido para o Boston Minutemen (EUA). No final dessa época de 1975 (nos EUA as temporadas começam no início do ano e acaba no fim do ano), transferi-me para o Monterrey do México, onde ganhei a Taça Cidade de Caracas (actual Campeonato Mexicano).
Na temporada de 1976-77 joguei em dois clubes: Toronto Metros-Croatia, do Canadá, e Beira-Mar. Ganhei nesse ano o NASL (Campeonato Norte-Americano, onde jogam tanto equipas canadianas como americanas). Lembro-me que, ao serviço do Beira-Mar, joguei uma vez contra o Benfica. O arbítro assinalou um livre a boca da área e o treinador mandou-me convertê-lo, ao que eu respondi "Não", porque se o vissesse sabia que ia ser golo.
Na minha última temporada 1977-78, joguei ao serviço do Las Vegas Quicksilver, New Jersey Americans (ambos EUA) e União de Tomar, clube onde me reformei com a idade de 35 anos.


Bibliografia


http://pt.wikipedia.org/wiki/Eus%C3%A9bio_da_Silva_Ferreira
FM 2010


Trabalho Feito por:

João Alves, nº 16 9º E
Pedro Magalhães, nº 24 9º E