​​Carmen Miranda

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Hoje acordei e senti-me inspirada, apeteceu-me escrever! Decidi fazer a minha biografia! Como já devem ter percebido, sou a Carmen de Miranda, pseudonimo que me atribuiram no Brasil, sendo o meu nome de batismo Maria do Carmo Miranda da Cunha.

Infância

carmen04.jpgNasci na freguesia de Várzea da Ovelha e Aliviada, concelho de Marco de Canaveses, em Portugal e sou filha do barbeiro, José Maria Pinto da Costa, e de Maria Emília Miranda. Quando nasci o meu pai emigrou para o Brasil, a 9 de Fevereiro de 1909. Em 1910, eu, a minha mãe e a minha irmã mais velha Olinda, fomos para lá também, ficando a viver no Rio de Janeiro, onde o meu pai abriu um barbearia, na rua da Misericórdia, nº 70, onde morávamos no sobrado do salão. Mais tarde, mudámo-nos para a rua Joaquim Silva, na Lapa. Aí nasceram os meus quatro irmãos o Amaro, em 1911, a Cecília, em 1913, a Aurora, em 1915 e o meu irmão mais novo, o Óscar, em 1916.

Já no Brasil, frequentei a Escola Santa Tereza, aos 10 anos, sendo recordada como uma aluna disciplinada, solícita e alegre, pelas minhas 30 colegas e professoras. A convite do Presidente, visitei o Rei Alberto I e a Rainha Elizabete da Bélgica com as restantes alunas, para participar numa recepção aos soberanos, podendo assim homenagear Rei Soldado. Mais tarde, recitei um poema, denominado "Pindorama" para Núncio Apostólico que esteve na minha escola, agrandando imenso ao Embaixador do Vaticano. Fui assim bastante admirada pelos meus dotes de declamação, mas também de canto, que as pessoas da minha escola já conheciam.
A partir de esta altura, eu e algumas amigas minhas começamos a gravar programas de rádio infantis, dos quais recebiamos 2 mil réis.


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Aos 14 anos, com o curso completo, tive de sair do colégio, no qual arrecadei muitos prémios e medalhas, graças à minha dedicação e bom comportamento . Embora soubesse que tinha um dom para a arte, queria seguir o caminho da fé, ou seja, tornar-me freira, impossibilitada pela teimosia do meu pai.
Assim, com o meu sonho destruído, empreguei-me em duas lojas de comércio, ambas de vestuário ("A Principal" e "La Femme Chic"), onde me consideraram uma menina comunicativa, alegre, um pouco "brejeira" e bonita.
Durante o trabalho, cantava, o que não agradava muito aos meus patrões, porém sabendo como me desculpar de um modo ingénuo e ternurento. Muitos clientes compravam produtos apenas para fazer conversa, conseguindo assim arranjar muitos namorados, embora, por vezes, os meus chefes não me deixarem sair para ir ter com eles.
Em 1926, tinha eu os meus 17 anos, conheci uns senhores muito simpáticos e influentes no cinema, que publicaram uma foto minha numa revista muito conhecida na altura e mencionaram o meu nome em vários estúdios. Um ano depois, apresentei um número musical numa festa no Instituto Nacional e a 1933 finalmente chego à grande tela.

Início de uma carreira brilhante

A minha verdadeira asc​ensão começou aos 21 anos, quando gravei a canção "Pra Você Gostar de Mim" ("​Taí") de Joubert de Carvalho, sendo intitulada como "a maior cantora brasileira". Neste mesmo ano, o meu sucesso chegou ao Japão e à Venezuela, sendo a sua​ primeira tournée realizada em Buenos Aires. Ao longo dos anos fui cantando em programas de rádio, cada vez ganhando mais dinheiro com este trabalho.

Concurso oficial, na feira de amostras

Bem, nunca irei esquecer aquele dia em 1939 no concurso oficial para a escolha das melhores músicas de carnaval, na feira de amostras, onde cantei com o Almirante a canção "Boneca de Piche", de Ary Barroso. Bem.. estava a ver que não consegui chegar ao palco, com tantas pessoas! Eu ouvia a multidão a gritar o meu nome, mas não conseguia passar no meio de tal alarido! Antes das 10 horas da noite, já me tinham anunciado mais de duzentas mil pessoas! Ainda consegui dançar uma demostração da nova dança que estava a revolucionar o Rio – “ Pirolito”.
Nunca vi tão grande euforia!
Mas no fim correu tudo bem! E foi uma noite memorável!

Inicio de uma nova vida! A caminho de Nova York..
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No dia 15 de Fevereiro de 1939, desembarcou no Rio o transatlântico “ Normandie” com centenas de turistas. Entre muitos nomes da fama, encontava-se Sonja Henie, a estrela patinadora de cinema, e Mr. Lee Shurbert, não tão famoso mas um dos mais importantes e conhecidos empresários teatrais de Nova York. Em quatro dias, tempo que Sonja ficará no Rio, criei uma grande amizade com a senhora. Até lhe emprestei fantasias da baiana para brincar, que nem precisaram de ajustes, sendo os nossos tamanho idêntico. Bem, tive a oportunidade de me apresentar a Mr. Shubert, no Casino de Urca. Ele gostou de mim e até me convidou para conversarmos no “Normandie”. Os únicos aspectos que lhe dava certas duvidas sobre mim, sem dúvidas, seriam o meu lado prático e desconhecer a língua inglesa.
A Sonja até ganhou o primeiro lugar num baile de fantasia e pelo que me contou chegaram a grita pelo meu nome. A minha grande amiga fez uma intimidação final ao Mr. Lee, dizendo se não me levava ela, trataria a mesma disso!
Após este acontecimento, acabamos por assinar um contrato de 400 dólares por semana.
Houve outra grande batalha, visto que queria levar os meus rapazes do “Bando da Lua”, contudo o Mr. Shurbert dizia que nos E.U.A havia muitos músicos e bons, embora sabendo eu que não seria a mesma coisa sem o ritmo brasileiro. Então comecei a pagar a três e Shurbert aos outros três.


Bibliografia

http://carmen.miranda.nom.br/


Trabalho de:
- Ana Catarina Nº1 9ºE
- Joana Frade Nº15 9ºE