A minha Biografia



Família

Chamo-me Almada Negreiros, José Almada Negreiros.
Sou filho de
António Almada Negreiros Boff, um tenente de cavalaria que foi administrador do Concelho de São Tomé e fundador de DiversosJornais.
Parte da minha infância passou-se em
São Tomé e Príncipe, terra natal da minha mãe, Elvira Bristot.

Depois da morte da minha mãe, em 1896, o meu pai foi viver para Portugal, nesta altura, em 1900, foi nomeado encarregado do Pavilhão das Colónias na Exposição Universal de Paris, deixando-me a mim e ao meu irmão António, ao cuidado dos Jesuítas no Colégio de Campolide.

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Fig.1 Almada Negreiros auto-retrato

Quando e onde me tornei conhecido

Em 1911, após a extinção do Colégio de Campolide dos Jesuítas e uma breve passagem pelo Liceu de Coimbra, eu entrei para a Escola Internacional de Lisboa. Nesta escola, consegui um espaço onde iria desenvolver o meu trabalho, publicando, ainda nesse ano, o meu primeiro desenho na revista “A Sátira”. Publiquei também o jornal manuscrito “A Paródia”, onde era o único redactor e ilustrador.
Em
1913, apresentei na Escola Internacional de Lisboa, a minha primeira exposição individual, composta de 90 desenhos, aqui conheci Fernando Pessoa, com quem editei a Revista Orpheu, juntamente com Mário de Sá Carneiro.

Em
1917, escrevi a novela “A Engomadeira”
Em 1919, fui viver para Paris, onde exerci diversas actividades e escrevi a Histoire du Portugal par coeur”. Fiquei em paris apenas cerca de um ano e quando regressei, colaborei com António Ferro , tendo inclusivamente desenhado a capa do livro dele “Arte de Bem Morrer”. Fiz também as capas da revista “Presença”, números 47 e 54.

Em 1927, fui para Espanha, onde, além de colaborar com diversas revistas, escrevi “El Uno”, Tragédia de la Unidad, obra dedicada à pintora Sarah Afonso, com quem me casei em 1934, já após o meu regresso a Portugal.
Em Portugal, vigora já o Estado Novo e eu, apoiante das ideias fascistas por influência do Futurismo italiano, comecei a ser solicitado para colaborar com as grandes obras do Estado. O Secretariado da Propaganda Nacional – SPN, encomendou-me o cartaz de apelo ao voto na nova constituição, o mesmo SPN organizou mais tarde a exposição Almada – Trinta Anos de Desenho, convidando-me para me apresentar na exposição Artistas Portugueses, no Rio de Janeiro, em 1942.
Eu venerava o ditador António Oliveira Salazar , Presidente do conselho. Num espectáculo a que foi assistir no teatro de S. Carlos, em Lisboa, fiz questão de o cumprimentar em pessoa.


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Fig.2 retrato de Fernando Pessoa

Quando me dediquei mais ao desenho e à Pintura

O SPN atribuiu-me o Prémio Columbano pela minha tela intitulada "Mulher". A partir dai, dediquei-me principalmente ao desenho e à pintura:

  • pintei os vitrais da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, que o público não apreciava;
  • pintei o célebre retrato de Fernando Pessoa em 1954 (Fig. 2);
  • pintei os painéis das gares marítimas de Alcântara e da Rocha Conde de Óbidos, pelas quais recebi o Prémio Domingos Sequeira;
  • pintei o edifício da Águas Livres e frescos na Escola Patrício Prazeres;
  • pintei as fachadas dos edifícios da Cidade Universitária;
  • fiz tapeçarias para o Tribunal de Contas e para o Palácio da Justiça de Aveiro, entre muitos outros.


Tendo colaborado tanto com o Estado Novo que a muita gente causou estranheza, não deixei de escrever:

"As construções do Estado multiplicam-se, porém, as paredes estão nuas como os seus muros, como um livro aberto sem nenhuma história para o povo ver e fixar".


Os últimos anos

Os meus últimos trabalhos, já com 75 anos, são o Painel Começar na Fundação Calouste Gulbenkian e os frescos da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra. Pintei também o meu célebre quadro "As mulheres amam-se".


Depois de Morto

Morri em 14 de Junho de 1970, de falha cardíaca, no mesmo quarto do Hospital de São Luís dos Franceses em que também morreu Fernando Pessoa.